


Discussão sobre o cenário, organização da produção, associativismo e genética estiveram em pauta no Encontro Regional de Apicultores realizado nesta quinta-feira (05/11), em Santo Ângelo. Apicultores, extensionistas e pesquisadores de 30 municípios participaram do evento inserido na programação da Feaagri Missões.
Em um reconhecimento do potencial da apicultura na região, o evento foi promovido pela Feaagri Missões, com apoio da Emater/RS-Ascar, Senar, Maxbem, Associação de Apicultores de Santo Ângelo (Apisa), Sindicato Rural, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, URI e Instituto Federal Farroupilha.
Nos 45 municípios de abrangência da Emater/RS-Ascar na região administrativa de Santa Rosa, que compreende a Fronteira Noroeste e as Missões, a produção anual de mel é de aproximadamente 490 toneladas, envolvendo cerca de 1.990 apicultores de 1.822 propriedades, com 31.893 caixas.
Os dados foram apresentados pelo assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar, médico veterinário Jorge João Lunardi, com base no Levantamento Socioeconômico e Ambiental da Apicultura realizado pela Instituição em 2024. Ao contextualizar a atividade na região, Lunardi destacou que a produção é comercializada por diferentes canais. Parte do mel segue para exportação, enquanto muitos apicultores realizam vendas informais. Já os produtores formalizados conseguem acessar mercados diversificados, inclusive por meio da participação nas Feiras Sabor Gaúcho, promovidas pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR).
FORMALIZAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DA CADEIA
A legalização da produção foi apontada como um dos desafios para o desenvolvimento da apicultura e, ao mesmo, como uma abertura de oportunidades para quem alcança a formalização. Atualmente, 13 agroindústrias da região estão regularizadas no Programa Estadual de Agroindústria Familiar (Peaf-RS), nos municípios de Santo Ângelo, Alecrim, Giruá, São Paulo das Missões, Boa Vista do Buricá, Alegria (duas), Roque Gonzales, São Luiz Gonzaga, São José do Inhacorá, Ubiretama, Cerro Largo e Caibaté.
Outra oportunidade de avanços está nas condições favoráveis da região à atividade, especialmente pela diversidade de pastagens apícolas e floradas. Para ampliar a produção, entretanto, é necessário investir na recuperação dessas pastagens, no mapeamento dos apicultores e na melhor organização dos apiários.
O fortalecimento do associativismo, a profissionalização e o aumento da produtividade também foram destacados como caminhos para estruturar a cadeia produtiva.
MANEJO E INTEGRAÇÃO ENTRE APICULTURA E SOJA
Aspectos práticos relacionados à alimentação e ao manejo das colmeias foram abordados por Aldo Machado dos Santos, da Comissão de Apicultura da Farsul. A apresentação teve como foco o manejo para alcançar altas produtividades e a coexistência entre produtores rurais e apicultores, especialmente na relação entre a produção de mel e o cultivo da soja.
Entre as orientações, Aldo destacou a multiplicação de enxames provenientes das colmeias que apresentaram os melhores resultados nos testes de comportamento higiênico, como estratégia para aprimorar a qualidade dos apiários. “Relacionar a soja e a apicultura no momento certo é bom para as abelhas, para o apicultor, para o sojicultor e para o meio ambiente”, destacou Aldo.
O palestrante também apontou a soja como uma oportunidade de produção e renda complementar no calendário apícola. Por se tratar de uma cultura com período de floração curto, é importante preparar as colmeias antecipadamente, contando com rainhas jovens e fortalecidas, capazes de garantir o desenvolvimento adequado dos enxames e o aproveitamento da florada.
MERCADO, ASSOCIATIVISMO E MELHORAMENTO GENÉTICO
A programação também contou com outras abordagens voltadas à qualificação da atividade e à ampliação das oportunidades de mercado. Victor Carraro, do Senar, apresentou o potencial produtivo da própolis e as oportunidades de comercialização. Já Leandro Rittel, do Sebrae, ressaltou a importância da eficiência técnica para reduzir custos e melhorar os resultados da apicultura. Amanda Prante, da Maxbem, empresa instalada em Porto Mauá e que absorve parte da produção da região, trouxe o tema da comercialização do mel.
O associativismo e as experiências locais estiveram em pauta com Vladmir Reis, presidente da Associação de Apicultores de Santo Ângelo (Apisa), que apresentou um relato sobre a atuação da entidade, e Lucas Silveira, jovem rural de Santo Ângelo, vinculado à Apis Missões, que compartilhou seu case de sucesso.
Também no Encontro, Fabiano da Silva Pazini expôs uma proposta de melhoramento genético voltada aos apicultores. A iniciativa busca aprimorar geneticamente as abelhas africanizadas, com a introdução de características de abelhas europeias de alta produção. Entre as técnicas apresentadas estão a divisão de enxames pelo método 1, 2, 3, preservando a força das colmeias doadoras; a introdução de rainhas em colmeias produtoras; e a produção de rainhas a partir de colmeias selecionadas.
O encontro reforçou a importância da integração entre apicultores, instituições de assistência técnica, entidades representativas e demais setores do agronegócio para enfrentar os desafios da atividade e ampliar o potencial produtivo e comercial da apicultura na região missioneira.